[Resenha] Parapeito
Romance de estreia de Rita de Podestá traz a fragmentação do eu e do outro
Universos paralelos; ácaros; o luto por quem ainda vive. Incertezas; uma janela; a vizinha. Um punhado de aleatoriedades não tão aleatórias compõem o enredo particular de “Parapeito”, romance de estreia de Rita de Podestá.
Depois de 13 anos juntos, Bernardo deixa Clara. A partida repentina a faz questionar sua própria existência; bem como a de um (uns) Bernardo(s) em realidades paralelas: qual rumo ou escolhas ele tomou após a separação?
“Existe um mundo onde nenhum de nós existe. Onde eu não existo. Mas para esse mundo existir, precisamos existir aqui, neste mundo (...). A existência é um jogo de toma lá dá cá. Cada um pensando ser a cópia original de si mesmo. Gosto de pensar na minha não existência enquanto não morro. Não que eu nunca tenha morrido. Morro com alguma frequência, mas estar viva tem me assustado mais do que a morte” (p. 56). [Esse é o meu trecho preferido].
Nesse fluxo inquieto, Clara encontra a janela do prédio à frente e, com ela, uma obsessão: sua vizinha. “Chinesinha”, como a chama, se torna sua vista. Seu olhar acompanha todos os seus movimentos. Sua rotina, seu calendário e sua motivação dependem exclusivamente dela. “Nos dias em que ela não vem, nenhum fluxo de vida humana passa por mim” (p. 27).
Até o dia em que ela desaparece; mas não a sua história. “Eu vou contar sua história, Chinesinha. Eu vou contar a sua história e não existe outra forma de fazer isso que não seja escrevendo”. (p. 74). Assim, Chinesinha se torna Rong. O resto é literalmente história.
Ao oscilar entre realidade (qual?) e ficção, o livro é um convite às possibilidades. Ele te convoca a fantasiar sobre multiversos (dos personagens e, quem sabe, o seu). Especificamente sobre o de Rong, eu vou aceitar o criado por Rita
Por Gabriela Ferigato


